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terça-feira, 24 de novembro de 2015

El Perro




mijo na porta da amada cachorra (cadê ela?)
a cadela vive no cio enquanto eu moro no ócio
                 
farejo um logro
arrepio a crina

vida de perro não é fácil
roo o osso mas não sou dócil
não fico perrengue

ladro um fero brado

pelo ocre caninamente escuro 
erro pelos becos em  pelos eriçados
rente ao muro
trago um cigarro barato
olhos em brasa rosno um rock
sou El Perro

entre lobos e homens eu aperreio-me
mordisco uma carniça rego a goela ardente
berro erres de ressentimento e raiva
rolo na terra fico louco (não sou cachorro)
                        arrepio-me
roço o couro na parede
coço o saco
mordo o próprio rabo
crio rusgas na testa e pelos na orelha
planto verrugas no meu rosto
vocifero pragas entre dentes
sob o plenilúnio lato
recuso o uivo estridente e não viro a lata
                        aperreio-me
sou El Perro (eu não sou cachorro não)

(mai/2013)

Síndrome de Drácula





na sala de estar
pálida
Fraulein  me fita
lírica


ávido

miro seu pescoço
gótico

épica
a valquíria espreita-me
gélida

cético
duvido do seu acento
bávaro

etílico
antevejo uma noitada
homérica

na  atmosfera lúgubre
a metamorfose lógica
(de súbito escondo os dentes...)

lânguido
esboço um gesto 
fálico

cai a madrugada
cálida
(bocejos)

caem os véus
de nossos corpos tépidos
no  lúbrico leito

mãos sôfregas
tateiam um peito
flácido
línguas se enroscam
                                            tácitas

lá fora
a manhã desponta
trágica
(Jul/1986)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Vida anfíbia


Baby
estou voltando pra casa
mas você sabe
flerto com o eterno e fodo com o efêmero
se estou na rua estou na tua
se estou na tua estou em casa
sou de lua
Baby
viro a lata do lixo
me lixo para o nexo
me fixo no fluxo
sou viralata de luxo
minha vida anfíbia 

Baby
second life
lado oculto dark side
tem sido sempre assim
a walk on the wild side
mas sempre volto 

Baby
chupo o néctar do inútil
sou fútil meu bem
não moro 

transito
quando mordo não escondo os dentes
quando morto renasço de repente
desço ao fundo do poço
mas volto sempre

Baby
às vezes surto
mas no delírio me reconheço
quando choro não uso colírio
mas não se assuste sou subtil
roubo um beijo levo um tapa
dou a outra face
leva um tempo 

Baby
roubo o queijo e fujo para o escuro
o meu refúgio
mas no fundo do túnel vejo claro
estou voltando pra casa

Baby

(jul/2009)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Obblio






I.

forse un giorno appena nato
porti via l’ombra dei pensieri malati
e chiudi gli occhi stanchi
di regnare soppra tante notti

non ne posso piú
basta di desideri ed illusioni
sogni deboli

andate via fantasmi
vi concedo la libertà  del mio annientamento
e si nell’alba cercate i miei passi
non ne avrò lasciate impronte

perduto nel polvere di questo deserto
sarò un grano di sabbia

soltanto un faro lontanissimo
mi farà la guida




II.

al fine della lunga notte
la luce é apparita
ma scappa spesso
gli occhi in buio
titubiante cammino

nella notte spessa
i cani abbaiano lontano
mentre i grilli picchiano
l’aria calda

in mezzo agli uomini
sono un  nomade
assetato in cerca di una parola
nella gola stretta



 III.
  
la mamma dorme accanto
il fischio del suo sonno
arriva dove sono io

mi ricordo di me stesso
è  estate e le finestre sono aperte

sono un uomo sparso
nel mio tempo
e vivo in cerca dei miei pezzi
lasciati lungo il cammino

di nuovo mi trovo dimenticato
nei miei riflessi





 IV.

 non so dove vanno i cani
a cercare il loro inferno
qui vicino io mi ritrovo
scopro la mia angoscia

magari questo orrore finirá

un giorno di sole
cui faro lucente
vedró
lontano
mi farà andare avanti

intanto soffro ancora
dio
soffro per il mio amore
poveri cani povero io
sono sbagliato nel buio dei miei sensi
pazzo
leggo fumo scrivo
mentre guardo un sentiero invisibile





(San Paolo, nov/1989)