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sábado, 2 de junho de 2012

Disfarces




Não são as mesmas nossas línguas
Como não são as palavras
A flutuar nas mesmas águas
Da mesma polissêmica miragem

Não são as mesmas nossas bocas
Como não são as vozes
A ressoar nos mesmos ecos
Do mesmo grito de origem

Não são os mesmos nossos corpos
Como não são as roupas
A cobrir os mesmos medos
Da mesma pálida coragem

Não são os mesmos nossos deuses
Como não são as sombras
A proteger os mesmos sonhos
Do mesmo sono oco e virgem


(jul/1992)

velhas palavras


ditas de tantas bocas e de tantos ouvidos envelhecidas
quero-as para mim
sempre inexauríveis de velhas verdades
de simplicidade tanta
palavras esquecidas
desprezadas sob as ruínas de minha soberba
preencham este abismo cavado de tanta procura
quero-as de volta
eu redivivo