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terça-feira, 24 de novembro de 2015

El Perro




mijo na porta da amada cachorra (cadê ela?)
a cadela vive no cio enquanto eu moro no ócio
                 
farejo um logro
arrepio a crina

vida de perro não é fácil
roo o osso mas não sou dócil
não fico perrengue

ladro um fero brado

pelo ocre caninamente escuro 
erro pelos becos em  pelos eriçados
rente ao muro
trago um cigarro barato
olhos em brasa rosno um rock
sou El Perro

entre lobos e homens eu aperreio-me
mordisco uma carniça rego a goela ardente
berro erres de ressentimento e raiva
rolo na terra fico louco (não sou cachorro)
                        arrepio-me
roço o couro na parede
coço o saco
mordo o próprio rabo
crio rusgas na testa e pelos na orelha
planto verrugas no meu rosto
vocifero pragas entre dentes
sob o plenilúnio lato
recuso o uivo estridente e não viro a lata
                        aperreio-me
sou El Perro (eu não sou cachorro não)

3 comentários:

  1. entre o rude, o caos natural, o animalístico, o humorado e o feio, original é este trabalho ímpar. Sobre a feiura? A poesia valoriza essas coisas nas suas palavras.

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  2. Maravilhoso poema!
    Assim mesmo, rasgado, ao mesmo tempo que limpo, um sujo que me agrada!

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  3. Maravilhoso poema!
    Assim mesmo, rasgado, ao mesmo tempo que limpo, um sujo que me agrada!

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