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terça-feira, 26 de abril de 2011

starlike people


u  are   one
you shine
you cast light
like any
you wander in shadows
though
                     that doesn’t define you

you shine in such a particular way
i enjoy seeing you around
the light
(delight to my eyes)

i pretend
i don’t see the dark from you
only the light
(delight from within your eyes)



haicai


Entre o nascimento e a morte
Mil deuses tramam
A minha sorte



Haicai



para além da janela

gira o sol

intenso amarelo

haicai


um manto de borra
a tristonha mariposa
da luz se enamora

sábado, 23 de abril de 2011

Labirinto


 deitado em meu leito
estreito pelo temor da sorte
a despeito das imagens turvas
da quotidiana bruma
pela  fresta da porta espreito
mil deuses tramando
um universo matemático perfeito
sem vida sem morte
tão retas pontos e curvas
de substância nenhuma
da forma de um círculo suspeito
que estão sempre recomeçando


domingo, 17 de abril de 2011

Hecce Homo




filho do mar cibernético
simples gota do complexo
perdido no ontologismo hermético
do seu ser-desconexo

trânsito de um ser-assim
para outro tão semente
poeira soprada no devir sem fim
(cabeça e cauda da serpente)

eterno neófito no metafísico claustro
fruto condenado à podridão
fareja seu próprio rastro
e se perde  (abstrato  cão!)

fustigado por seu passo erradio
cansado de cheirar as próprias fezes
busca desesperado  um ponto no vazio
(um antídoto para suas antíteses)

levado pelo vento arquetípico
vindo de regiões antropofágicas
arrebenta contra muralhas mitológicas
(desfaz-se o sonho utópico)

de novo descobre-se  lama
rateiro rasteja ser vil
e ri e chora e odeia e ama
(e louvado seja esse rio! )

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Chiaroscuro


 
Estou só  quando estou contigo
E não encontro em canto algum
algum encanto
Que me faça parar de morrer

Encantamento de salamandra que seja
Fogo-fátuo que por um momento
Risque a noite dos meus olhos

Sussurro de sibila que seja
Pista silente sutilmente selada 
Que meus ouvidos farejam

Não te quero facilmente
Sorriso branco estampado em bilboards
Te quero violeta à metade oculta
De minha visão musgosa

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Justificativa 1





um poeta de banco de rodoviária
tem ao menos o pretexto
de escrever enquanto espera o ônibus
como justificativa de um despropósito

escrever como um (des)cumprimento irreverente
ao silêncio que bate à porta

zen-filosofia-nenhuma

calando eus que estão sendo
impermanentes sombras que escapam
à concretude da escrita

secando  vozes que gritam
rios errantes que se turvam
ao distanciar-se da fonte

sufocando ecos que insistem
restos de som que sobrevivem
à   palavra-prima inaudita

sábado, 2 de abril de 2011

Computerliebe



I need a rendezvous
rapidamente
I'm a love machine
in a bionic trance
encapsulado
in a black mirror

no violence
just movement
but still
steely gazes
there                            
staring at me
on the TV screen
                                                           who’s in the mirror?

lonely at night
I don’t know what to do 

différance


o que seria dum mundo sem patos
sem quacs 
sem passos desajeitados
sem pés chatos
sem donalds e margaridas
sem tios e sobrinhos
filhos sem pais
ducklings in a row
refletidos
nos olhos que os contemplam
num fim de tarde
o lago e o rio
o espelho e o tempo
0 lapso e o in-between
back and forth back and forth
and so forth and so forth
quac
o vôo transverso de asas curtas e pontiagudas
a micrologia do instant vecu
o passo atrás da abstração no rastro do incomensurável
o silencio do lago rompido
de repente
por um quase 
                         um quasar 
                                              um quac
step forth step back
back and forth
a planagem e o pouso na água
e a difícil arte da flutuação
o contexto e a intenção do ato
e a aceitação do imponderável
e quac!
e pato novamente
o nuncaesempreomesmopato


haikai

no galho o sanhaço
azul contra o azul
desafia o espaço